terça-feira, 9 de novembro de 2010

Desculpe,
meu brilho silencioso, não aquece,
mas encanta,
como os vagalumes...
Nem é amor,
É só um desejo solitário de ser feliz...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

E eu aqui, dependurado no galho desta velha mangueira que sou,
Comendo com uma boca boa, manga rosa com sal,
Ah meu amor,
até o sal me faz lembrar você.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Queria achar um motivo, para abrir os braços,
Aproveitar o vento que sopra do leste,
Queria ter a coragem de me lançar dos penhascos... de todos eles,
E como uma pequena mancha branca – gaivota, nuvem, semente talvez –
flutuar sobre o mar
Não ser aos poucos,
Me desfazer, como as espumas se desfazem,
quando encontram o áspero das praias
Queria ser eu ás vezes,
No entanto,
sou uma mistura inacabada, de carne e ossos,
Opaca e morna,
Que sangra sempre,
Que rasteja noites adentro,
tentando encontrar nas luzes acesas desta cidade,
Um motivo para acreditar,
Que amanha fará sol.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

EU ME ENCONTRO TODO DIA...
E POR ISSO EXISTE ESTA ESTRANHEZA...
A MESMA, DE QUANDO ABRIMOS UM LIVRO
PELA PRIMEIRA VEZ.

QUERIA TANTO, QUE TUDO ISSO FOSSE TÃO NORMAL,
NO ENTANTO, ODEIO TODOS QUE CONTAM AQUELE FINAL...
AQUELES QUE PEDEM O ULTIMO PEDAÇO...

ODEIO OS QUE OFERECEM O VENENO,
JUSTAMENTE QUANDO EU DECIDI VIVER...

- DEPOIS DE UMA NOITE SEM ENCANTAMENTOS.
ONDE ESTÁ VOCÊ CLARICE?

HÁ SEMPRE UM POUCO DOS MORTOS EM NÓS!

quarta-feira, 21 de julho de 2010


Existe em mim um amor de serpente,
que deseja surpreende-lo,
numa destas tardes quentes e solitárias de deserto.

Mas sobre as serpentes nada sei...
quem sabe,eu até saiba,
que são mortalmente belas e cegas: como eu quando ti procuro, entre os espinhos dos meus cactos.

Ah! Sobre os cactos: a beleza deles se esconde em suas águas.

Quanto a mim:
sei que não sou um ser tão belo, como os cactos ou as serpentes de escamas reluzentes,
mas ainda assim, o deserto me pertence...
Não,
Não há nada errado, é só o inverno chegando,
e as mesmas folhas secas de antes,

E este vento que me enlouquece,
batendo a porta sempre,
do mesmo jeito que você,
quando saia...

terça-feira, 15 de junho de 2010


Meu eu, nao se encontra na superficie,
É por isso que gosto das coisas profundas.
Todo o resto são superficialidades,
com as quais eu tenho que conviver...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Outro dia,
eu te vi brincando por ai,
Com aquele mesmo sorriso claro,
Com o mesmo dom raro,
tão raro, de me fazer feliz...
Como é bonito ti ver...
Você não imagina,
como é tão bonito ti ver...

Apagam-se as luzes,
e teu olhar deixa a minha alma clara.
E derrepente isso vem e me pega assim, de supetão. Como uma lufada de vento. Uma porta batendo. Um portão. E eu tão ingênuo, tentando inocentemente cobrir com as mãos os ouvidos, só para brincar de não ouvir. E as minhas mãos... já estavam entre as suas mãos. Meu Deus! Quanto tempo, eu não sentia tanta delicadeza.
Não se preocupe... é apenas um gole a mais.
Me deixe assim, que eu prometo não me preocupar também - principalmente com toda esta sujeira sob a mesa.
E me perdoe por não ter ouvido, tudo o que você me disse - a musica estava alta demais. Mesmo! Não se preocupe comigo.Desenvolvi a capacidade de me acostumar com as coisas insolúveis.
(...)E o mar vinha tão límpido, e trazia aquela areia branquinha. Então, enquanto eu segurava aquele pouquinho de água e areia entre as mãos, percebia que havia ali um resto de tantas coisas: pedaços de conchas, sal, cavalos marinhos, tijolos brancos de Creta, talvez. Mas foi em completo silencio, que compreendi... que tudo o que eu segurava na verdade, era a minha própria capacidade de sonhar, de ver beleza e luz, onde antes havia apenas tristeza e trevas.
Ah sim... Eu dizia: me acostumei com as coisas insolúveis.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Pare com isso...já li tantas vezes o teu texto, que poderia representa-lo em qualquer sala...dessas que você costuma se apresentar. Não acredita? Sua proxima fala seria: As vezes tenho vontade de deixa-lo...para sempre. Vê, como eu sei?. Mas só para finalizar este monologo, meu amor...eu te digo: Nunca conseguimos abandonar velhos hábitos. Afinal é isso que é o amor, nao é? um velho hábito.
Uma velha poltrona de veludo vermelho, num canto da sala apagada de encanto.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010



ele dizia que era uma flor desabrochando sobre o mar...eu vi a flor, tão parecida com a de um imenso cacto...

no entanto, tudo isso ainda me parecia uma grande nave branca, pousada sobre os tropicos...a mesma imaginada quando a vi pela primeira vez...

Mas não, não era flor, ou nave...era a beleza concreta de um poeta!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cai novamente a tempestade, sobre as ruas nuas da cidade. É bom! as vidraças estavam embaçadas demais...