quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Quer saber quem sou?
Eu sou: o peregrino e a sua estrada. A mão que alimenta, a força que eleva, a fé que ampara. O lobo solitário. O menino e suas asas de papelão. Gosto dos ventos, das tempestades, das asas dos pássaros e dos anjos nos nichos das igrejas. Da água limpa, do rio corrente, do mar lambendo as pedras, de dias plenos de sol. Gosto do tempo, de coisas com tempo, do meu tempo pras coisas. Sou um homem em silencio. Musica boa, é chuva no telhado, passarinho cantando, e um docê e velho blues. De planta, sou mais um cacto, o serrado e suas veredas, Ipês amarelos em agosto. Sou caipira, de casinhas bucólicas, do mugido de vacas, do fogão a lenha, como um poema de Cora. Sou vermelho terra, café com bolinho, pão feito em casa. Cheiro bom é o do mato, de alecrim, de jasmim, da flor da mangueira. De arte, vou dos cordéis e seus impressos, de Guimarães Rosa e seu Miguelim, da Cabiria do Fellini, Almodóvar, Sidarta do Hesse. Da Macabéia de Clarice... decompletamentetodas as palavras em brasa, de Lispector. Da loucura plena de amor de Camile Clode. Da obscena Sra. Hilda Hilst. E confesso: tenho um caso de amor, com o Sr. Caio F. Abreu – cuidarei de seu dragão para sempre. Se me perguntar sobre o amor: nada sei. Mas penso nele como uma força, uma Fenix que potencializa tudo o que alimentarmos em nós. Sobre amar: amei demasiadamente certo e errado, de forma simples ou complicada, ingênua, enlouquecida... mas amei. Sei que “vou querer amar de novo, mas se não der, eu não vou sofrer”(Elis). Medo? Não tenho do escuro, mas das luzes fáceis que cegam. Bem e mau pra mim, compartilham a natureza humana, e a consciência é a vara do artista - todos os dias na corda bamba. Em mim estão vivas: as palavras de Buda, Nietsche, Freud, Jung e de minha avó. Importancia tem a paz, o amor dos meus, e a simplicidade - dos sentimentos, das coisas e das pessoas. Sobre o futuro: nada sei, mas certamente irei morar juntinho do mar. Se eu cantasse: “ando devagar porque já tive pressa, e levo este sorriso, porque já chorei demais”. Do mais, sigo em frente, cego que sou, tateando a superficie cristalizada deste grande lago, que chamamos "vida"...
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