terça-feira, 21 de setembro de 2010

Queria achar um motivo, para abrir os braços,
Aproveitar o vento que sopra do leste,
Queria ter a coragem de me lançar dos penhascos... de todos eles,
E como uma pequena mancha branca – gaivota, nuvem, semente talvez –
flutuar sobre o mar
Não ser aos poucos,
Me desfazer, como as espumas se desfazem,
quando encontram o áspero das praias
Queria ser eu ás vezes,
No entanto,
sou uma mistura inacabada, de carne e ossos,
Opaca e morna,
Que sangra sempre,
Que rasteja noites adentro,
tentando encontrar nas luzes acesas desta cidade,
Um motivo para acreditar,
Que amanha fará sol.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

EU ME ENCONTRO TODO DIA...
E POR ISSO EXISTE ESTA ESTRANHEZA...
A MESMA, DE QUANDO ABRIMOS UM LIVRO
PELA PRIMEIRA VEZ.

QUERIA TANTO, QUE TUDO ISSO FOSSE TÃO NORMAL,
NO ENTANTO, ODEIO TODOS QUE CONTAM AQUELE FINAL...
AQUELES QUE PEDEM O ULTIMO PEDAÇO...

ODEIO OS QUE OFERECEM O VENENO,
JUSTAMENTE QUANDO EU DECIDI VIVER...

- DEPOIS DE UMA NOITE SEM ENCANTAMENTOS.
ONDE ESTÁ VOCÊ CLARICE?

HÁ SEMPRE UM POUCO DOS MORTOS EM NÓS!

quarta-feira, 21 de julho de 2010


Existe em mim um amor de serpente,
que deseja surpreende-lo,
numa destas tardes quentes e solitárias de deserto.

Mas sobre as serpentes nada sei...
quem sabe,eu até saiba,
que são mortalmente belas e cegas: como eu quando ti procuro, entre os espinhos dos meus cactos.

Ah! Sobre os cactos: a beleza deles se esconde em suas águas.

Quanto a mim:
sei que não sou um ser tão belo, como os cactos ou as serpentes de escamas reluzentes,
mas ainda assim, o deserto me pertence...
Não,
Não há nada errado, é só o inverno chegando,
e as mesmas folhas secas de antes,

E este vento que me enlouquece,
batendo a porta sempre,
do mesmo jeito que você,
quando saia...

terça-feira, 15 de junho de 2010


Meu eu, nao se encontra na superficie,
É por isso que gosto das coisas profundas.
Todo o resto são superficialidades,
com as quais eu tenho que conviver...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Outro dia,
eu te vi brincando por ai,
Com aquele mesmo sorriso claro,
Com o mesmo dom raro,
tão raro, de me fazer feliz...
Como é bonito ti ver...
Você não imagina,
como é tão bonito ti ver...

Apagam-se as luzes,
e teu olhar deixa a minha alma clara.
E derrepente isso vem e me pega assim, de supetão. Como uma lufada de vento. Uma porta batendo. Um portão. E eu tão ingênuo, tentando inocentemente cobrir com as mãos os ouvidos, só para brincar de não ouvir. E as minhas mãos... já estavam entre as suas mãos. Meu Deus! Quanto tempo, eu não sentia tanta delicadeza.