
Minhas zonas de sombra
“Quer saber quem sou? Olhe para as arvores do bosque: todas em completo silencio, enquanto murmuram suas orações”.
Li Maria Adelaide Amaral dizer que, Derci - longe da mascara publica - era uma das pessoas mais tristes e sozinhas que já havia conhecido. Caio F. Abreu, dizia a mesma coisa de Clarice [Lispector]. E outros disseram também a mesma coisa sobre ele.
Penso que a maioria das pessoas são tristes e sozinhas - mesmo as extraordinárias. No fundo, as que dizem que não são [sozinhas], não encontraram coragem para admitir. Eu ao contrario admito: sou um “ser” completamente sozinho - na maioria das vezes triste.
Mas espera! Não quero que pense coisas como: Nossa, preciso fazer alguma coisa urgente por ele! Coisas, como ligar de vez em quando para perguntar como estou? Não iria adiantar de nada. Mesmo porque, não é o telefone – que nunca toca – que me faz solitário.
A verdade nua e crua, minha gente é que – por uma questão de pura sobrevivência - me desprendi da idéia de “grupo”, tipo família, amigos, guetos. Estas coisas, que mais nos aprisiona em jaulas, do que nos fazem sentir protegidos, amados, etc.
Mas como não é possível ficar só completamente no mundo; aprendi a linguagem das arvores. Decifrei o código do piscar silencioso dos vaga-lumes. Compreendi os segredos dos movimentos dos corpos - principalmente nos bares. Por isso sou um ser solitário. Triste ás vezes. Mas não morrerei disso, certamente.
Sabe... Desde pequeno, sou meio assim - um passo no mundo, outro de baixo da cama, do assoalho, nas copas das arvores. Um lobo solitário, como aquele livro do Hesse (Herman), “o lobo da estepe”. Fabuloso! Por isso sempre amei as historias de lobisomens que minha avó contava. E talvez por isso mesmo sinto uma tristeza medonha, quando vejo animais - sobretudo os lobos guarás - aprisionados. Se pudesse, chutaria as grades, e os deixaria ir...viver suas vidas solitárias.
(...) Hoje, me encontro um tanto triste. Serio. Meio sombrio, misterioso até... Deve ser o lobo, que me toma vez ou outra e exige seu tempo para viver através de mim... Meu totem. Meu bicho aprisionado.
Mas preciso dizer uma ultima coisa: a de que continuo acreditando nas pessoas. Sim! No amor também. Nos mistérios da vida e da morte.
Mas pintou algo novo: nas sombras, um olhar finíssimo para as arvores que se desfolham neste inverno. Uma tristeza que sobe das entranhas mais profundas, como fumaça branca que me denuncia: zonas de sombras, expostas demais. Há algo lá dentro que queima aquelas folhas caídas.
Por isso tenho andado tão só por ai. E meu lobo está à espreita. Faminto, não mata, nem morde. Apenas espera a noite chegar, enquanto aguarda em silencio em minhas zonas de sombras. (Santo)
“Quer saber quem sou? Olhe para as arvores do bosque: todas em completo silencio, enquanto murmuram suas orações”.
Li Maria Adelaide Amaral dizer que, Derci - longe da mascara publica - era uma das pessoas mais tristes e sozinhas que já havia conhecido. Caio F. Abreu, dizia a mesma coisa de Clarice [Lispector]. E outros disseram também a mesma coisa sobre ele.
Penso que a maioria das pessoas são tristes e sozinhas - mesmo as extraordinárias. No fundo, as que dizem que não são [sozinhas], não encontraram coragem para admitir. Eu ao contrario admito: sou um “ser” completamente sozinho - na maioria das vezes triste.
Mas espera! Não quero que pense coisas como: Nossa, preciso fazer alguma coisa urgente por ele! Coisas, como ligar de vez em quando para perguntar como estou? Não iria adiantar de nada. Mesmo porque, não é o telefone – que nunca toca – que me faz solitário.
A verdade nua e crua, minha gente é que – por uma questão de pura sobrevivência - me desprendi da idéia de “grupo”, tipo família, amigos, guetos. Estas coisas, que mais nos aprisiona em jaulas, do que nos fazem sentir protegidos, amados, etc.
Mas como não é possível ficar só completamente no mundo; aprendi a linguagem das arvores. Decifrei o código do piscar silencioso dos vaga-lumes. Compreendi os segredos dos movimentos dos corpos - principalmente nos bares. Por isso sou um ser solitário. Triste ás vezes. Mas não morrerei disso, certamente.
Sabe... Desde pequeno, sou meio assim - um passo no mundo, outro de baixo da cama, do assoalho, nas copas das arvores. Um lobo solitário, como aquele livro do Hesse (Herman), “o lobo da estepe”. Fabuloso! Por isso sempre amei as historias de lobisomens que minha avó contava. E talvez por isso mesmo sinto uma tristeza medonha, quando vejo animais - sobretudo os lobos guarás - aprisionados. Se pudesse, chutaria as grades, e os deixaria ir...viver suas vidas solitárias.
(...) Hoje, me encontro um tanto triste. Serio. Meio sombrio, misterioso até... Deve ser o lobo, que me toma vez ou outra e exige seu tempo para viver através de mim... Meu totem. Meu bicho aprisionado.
Mas preciso dizer uma ultima coisa: a de que continuo acreditando nas pessoas. Sim! No amor também. Nos mistérios da vida e da morte.
Mas pintou algo novo: nas sombras, um olhar finíssimo para as arvores que se desfolham neste inverno. Uma tristeza que sobe das entranhas mais profundas, como fumaça branca que me denuncia: zonas de sombras, expostas demais. Há algo lá dentro que queima aquelas folhas caídas.
Por isso tenho andado tão só por ai. E meu lobo está à espreita. Faminto, não mata, nem morde. Apenas espera a noite chegar, enquanto aguarda em silencio em minhas zonas de sombras. (Santo)
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