(...) lá fora uma senhora empurra um carrinho, repleto de papelão. Meia idade,
vestido de florzinha colado ao corpo pelo suor da lida,
Chinelo de dedo gasto no calcanhar,
Peitos grandes de encontro ao ferro frio,
mãos,Pés,joelhos,coxas,
corpo em duro movimento.
Maquina, mãe, fera.
Lança que segue seu rumo, seu plumo, seu alvo:
a vida, dura e solida à frente,
A chuva cai...
limpa o rosto num respirar profundo.
Uma buzina ali na esquina,
alguém grita na porta do bar,
cidade, calçadas, café, tropeços, respingo
me olha nos olhos, cabelos escorridos, meio sorriso, vida compartilhada.
Um olhar pro céu, tempo abafado, segue seu rumo...
seu papelão, seu cachorro magro, molhado, tristonho.
fico e deixo a roda da vida rolar sem espanto,
em seu movimento de moinho de vento...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário