Vou por ai, mochila nas costas, um sonho na cabeça...
Tropeço como toda gente, mas não tem nada errado com meus pés...
é o mundo que vive em eterna construção.
(...)então me diz:que culpa tenho eu, de achar que o céu
é bem mais bonito que o chão.
quarta-feira, 11 de março de 2009
falando de mãos e de sonhos
(...) abra as tuas mãos...
de decomer aos passaros,
a tantas aves famintas de sonhos,
a tanto chão carente de flores,
a tanto vento a ser semeado com teu sopro...
neste sertão, tudo é tão aspero,
(...)cante para mim uma cantiga...
que eu possa me lembrar nas tardes tristes,
que me deixe prenhe daquele orvalho que ainda nao vi,
me faça conhecer a chuva que ainda não caiu,
chega de falar das cruzes brancas na beira da estrada,
deixemos para traz, o que resseca os dias,
(...)Vem comigo ver, como é lindo o mar...
de decomer aos passaros,
a tantas aves famintas de sonhos,
a tanto chão carente de flores,
a tanto vento a ser semeado com teu sopro...
neste sertão, tudo é tão aspero,
(...)cante para mim uma cantiga...
que eu possa me lembrar nas tardes tristes,
que me deixe prenhe daquele orvalho que ainda nao vi,
me faça conhecer a chuva que ainda não caiu,
chega de falar das cruzes brancas na beira da estrada,
deixemos para traz, o que resseca os dias,
(...)Vem comigo ver, como é lindo o mar...
terça-feira, 10 de março de 2009
entre um cigarro, e um gole a mais
Sinto como você...vontade de chorar,
de dizer pra todo mundo que sofro,
mas só minha saliva pode curar minhas proprias feridas,
e confesso!
não pediria nunca para você, lambe-las por mim...
Então,
para que contar o que rola dentro da lona,
se a grande sacada do circo,
é desaparecer enquanto dormem os homens,
(...) Sabe,
queria mesmo, era ouvir uma balada muito louca a meia noite,
um blues,
talvez um gole de vodka,
talvez um beijo invenenado de cicuta,
só pra não acordar denovo
chorando.
de dizer pra todo mundo que sofro,
mas só minha saliva pode curar minhas proprias feridas,
e confesso!
não pediria nunca para você, lambe-las por mim...
Então,
para que contar o que rola dentro da lona,
se a grande sacada do circo,
é desaparecer enquanto dormem os homens,
(...) Sabe,
queria mesmo, era ouvir uma balada muito louca a meia noite,
um blues,
talvez um gole de vodka,
talvez um beijo invenenado de cicuta,
só pra não acordar denovo
chorando.
09 de março daquele ano
(...) quando eu já estava prestes a gritar, e dali correr.
Quando já me imaginava escorrendo por aqueles corredores - tão limpos - e me lançando dois andares de escadas acima - para assim me libertar de forma anonima naquelas ruas chuvosas - e sujas - Deus, percebendo toda a minha agonia - ou antevendo (talvez) a mudança de todo o planejamento futuro que ele fizera a meu respeito - soprou aquela mente em minha direção.
(...)Algo novo surgiu...
um novo sorriso, quem sabe futuros amigos,
quem sabe, o que se passa na cabeça de anjos caidos...
como eu...
Quando já me imaginava escorrendo por aqueles corredores - tão limpos - e me lançando dois andares de escadas acima - para assim me libertar de forma anonima naquelas ruas chuvosas - e sujas - Deus, percebendo toda a minha agonia - ou antevendo (talvez) a mudança de todo o planejamento futuro que ele fizera a meu respeito - soprou aquela mente em minha direção.
(...)Algo novo surgiu...
um novo sorriso, quem sabe futuros amigos,
quem sabe, o que se passa na cabeça de anjos caidos...
como eu...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
reciclavel vida
(...) lá fora uma senhora empurra um carrinho, repleto de papelão. Meia idade,
vestido de florzinha colado ao corpo pelo suor da lida,
Chinelo de dedo gasto no calcanhar,
Peitos grandes de encontro ao ferro frio,
mãos,Pés,joelhos,coxas,
corpo em duro movimento.
Maquina, mãe, fera.
Lança que segue seu rumo, seu plumo, seu alvo:
a vida, dura e solida à frente,
A chuva cai...
limpa o rosto num respirar profundo.
Uma buzina ali na esquina,
alguém grita na porta do bar,
cidade, calçadas, café, tropeços, respingo
me olha nos olhos, cabelos escorridos, meio sorriso, vida compartilhada.
Um olhar pro céu, tempo abafado, segue seu rumo...
seu papelão, seu cachorro magro, molhado, tristonho.
fico e deixo a roda da vida rolar sem espanto,
em seu movimento de moinho de vento...
vestido de florzinha colado ao corpo pelo suor da lida,
Chinelo de dedo gasto no calcanhar,
Peitos grandes de encontro ao ferro frio,
mãos,Pés,joelhos,coxas,
corpo em duro movimento.
Maquina, mãe, fera.
Lança que segue seu rumo, seu plumo, seu alvo:
a vida, dura e solida à frente,
A chuva cai...
limpa o rosto num respirar profundo.
Uma buzina ali na esquina,
alguém grita na porta do bar,
cidade, calçadas, café, tropeços, respingo
me olha nos olhos, cabelos escorridos, meio sorriso, vida compartilhada.
Um olhar pro céu, tempo abafado, segue seu rumo...
seu papelão, seu cachorro magro, molhado, tristonho.
fico e deixo a roda da vida rolar sem espanto,
em seu movimento de moinho de vento...
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
NUVENS ESCURAS NO CÉU
(...) E derrepente, me deu uma angustia, e aquela conhecida vontade de chorar. Não! Não é uma vontade de chorar “normal”, é uma vontade de chorar por dentro, sem lagrimas explicitas – veredas escondidas em um cerrado solitário. Bioma delicado.
É uma vontade de chorar, com nuvens carregadas, que encobrem por dias o sol... É dessa vontade de chorar que eu falo. Um choro as escuras, com tudo trovejando aqui dentro – e lá fora, a visão de um menino, que as três da manha, tenta colocar a cabeça para fora da janela, na esperança de que a chuva caia e lave seus pensamentos - e aquela água límpida, delicadamente escorrendo por lugares profundos demais, vai iluminando tudo ao redor, como fagulhas quentes e úmidas, até que tudo se cristaliza.
(...) Quando eu era bem pequeno, a chuva era um momento raro de felicidade em meio a tantas “necessidades”. Se calma, a gente dormia. Se tempestade, era hora de se esconder de baixo da mesa da cozinha. Daí, como sempre acontecia, a vó jogava os ramos da ultima procissão nas brasas do fogão. Rezava baixinho, e a chuva lá fora ia se aquietando. Eu gostava destes momentos, pois quase sempre - eu e o meu irmão - dormíamos enrolados numa coberta de retalhos, encolhidos como gatos por sob a mesa. Ali na beirada do fogão. Quando acordava: café novinho, bolinho de garrafa, poças d’água, arco-íris ao longe, e aquele cheiro de mato molhado. Ah!Tudo era uma felicidade só.
Noutras vezes, sempre de noite e escondido da mãe, eu abria a tramela da janela bem devagarzinho, pra não acordar ninguém. Passava horas espiando a chuva. Colocava a mão pra fora, punha na boca. Sentia o gosto de barro das telhas. Então, ficava pensando no caminho que as nuvens faziam, para chegar até ali. Havia em mim, uma vontade imensa de voar. Voar completamente nu e no absoluto escuro.
Quando era dia, e a chuva se armava lá no alto do espigão, trazia aquele cheiro de terra... Eu corria, e pegava minhas asas de papelão. Esperava, esperava... O vento vinha... então eu fechava os olhos, batia as asas e dentro de mim mesmo, voava - como uma pipa, um pássaro, ou como todas as coisas que como eu, tinham asas.
(...) Hoje, eu fico ali naquela janela, esperando que a água jorre de alguma mina escondida, de algum pico nevado e distante. De que o tempo passe e se evapore e que de alguma forma estranha e mágica, forme tantas tempestades quanto possível. E que uma delas se apresse em chegar. De que em seu tempo caia a chuva, e que ela lave todas as estatuas sujas das praças; as folhas das arvores da rua; os prédios cinza ao longe, e a alma triste daqueles meninos que nasceram sem asas.
É nesta esperança vazia que me apego. De que tudo possa ficar limpo, de que de alguma maneira eu possa sentir novamente meus pés se elevarem do chão, e completamente imbuído da minha capacidade infantil de voar, encontre o caminho alado e exato das coisas não permitidas...
(...) Mas a tempestade nunca vem, e a garganta fica seca demais para gritar. Então choro, para regar a infância perdida, pela busca nunca alcançada e que me leva sempre mais longe. E pela sede do menino, que volta sempre, sobretudo nas madrugadas empoeiradas. (Santo)
(...) E derrepente, me deu uma angustia, e aquela conhecida vontade de chorar. Não! Não é uma vontade de chorar “normal”, é uma vontade de chorar por dentro, sem lagrimas explicitas – veredas escondidas em um cerrado solitário. Bioma delicado.
É uma vontade de chorar, com nuvens carregadas, que encobrem por dias o sol... É dessa vontade de chorar que eu falo. Um choro as escuras, com tudo trovejando aqui dentro – e lá fora, a visão de um menino, que as três da manha, tenta colocar a cabeça para fora da janela, na esperança de que a chuva caia e lave seus pensamentos - e aquela água límpida, delicadamente escorrendo por lugares profundos demais, vai iluminando tudo ao redor, como fagulhas quentes e úmidas, até que tudo se cristaliza.
(...) Quando eu era bem pequeno, a chuva era um momento raro de felicidade em meio a tantas “necessidades”. Se calma, a gente dormia. Se tempestade, era hora de se esconder de baixo da mesa da cozinha. Daí, como sempre acontecia, a vó jogava os ramos da ultima procissão nas brasas do fogão. Rezava baixinho, e a chuva lá fora ia se aquietando. Eu gostava destes momentos, pois quase sempre - eu e o meu irmão - dormíamos enrolados numa coberta de retalhos, encolhidos como gatos por sob a mesa. Ali na beirada do fogão. Quando acordava: café novinho, bolinho de garrafa, poças d’água, arco-íris ao longe, e aquele cheiro de mato molhado. Ah!Tudo era uma felicidade só.
Noutras vezes, sempre de noite e escondido da mãe, eu abria a tramela da janela bem devagarzinho, pra não acordar ninguém. Passava horas espiando a chuva. Colocava a mão pra fora, punha na boca. Sentia o gosto de barro das telhas. Então, ficava pensando no caminho que as nuvens faziam, para chegar até ali. Havia em mim, uma vontade imensa de voar. Voar completamente nu e no absoluto escuro.
Quando era dia, e a chuva se armava lá no alto do espigão, trazia aquele cheiro de terra... Eu corria, e pegava minhas asas de papelão. Esperava, esperava... O vento vinha... então eu fechava os olhos, batia as asas e dentro de mim mesmo, voava - como uma pipa, um pássaro, ou como todas as coisas que como eu, tinham asas.
(...) Hoje, eu fico ali naquela janela, esperando que a água jorre de alguma mina escondida, de algum pico nevado e distante. De que o tempo passe e se evapore e que de alguma forma estranha e mágica, forme tantas tempestades quanto possível. E que uma delas se apresse em chegar. De que em seu tempo caia a chuva, e que ela lave todas as estatuas sujas das praças; as folhas das arvores da rua; os prédios cinza ao longe, e a alma triste daqueles meninos que nasceram sem asas.
É nesta esperança vazia que me apego. De que tudo possa ficar limpo, de que de alguma maneira eu possa sentir novamente meus pés se elevarem do chão, e completamente imbuído da minha capacidade infantil de voar, encontre o caminho alado e exato das coisas não permitidas...
(...) Mas a tempestade nunca vem, e a garganta fica seca demais para gritar. Então choro, para regar a infância perdida, pela busca nunca alcançada e que me leva sempre mais longe. E pela sede do menino, que volta sempre, sobretudo nas madrugadas empoeiradas. (Santo)
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