segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Não, não é saudade...É apenas algo, se mexendo no porão.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

dos mares nada sei

(...) entendo que existe uma distancia imensa, entre o meu mar e o teu. Navegamos destinos diferentes, em tempos diferentes. Nossas bussolas não apontam o mesmo leste, e até mesmo nossas luas nao se encontraram nos céus. Mas navegante que sou, encontrei teu mar, tua nau, teu cais. Quem sabe, mesmo ao fim de tarde que se anuncia. Quem sabe diante das tempestades ou das calmarias...não seja neste encontro solido terra e mar...que a delicadeza do amar se cria...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Quer saber quem sou?

Eu sou: o peregrino e a sua estrada. A mão que alimenta, a força que eleva, a fé que ampara. O lobo solitário. O menino e suas asas de papelão. Gosto dos ventos, das tempestades, das asas dos pássaros e dos anjos nos nichos das igrejas. Da água limpa, do rio corrente, do mar lambendo as pedras, de dias plenos de sol. Gosto do tempo, de coisas com tempo, do meu tempo pras coisas. Sou um homem em silencio. Musica boa, é chuva no telhado, passarinho cantando, e um docê e velho blues. De planta, sou mais um cacto, o serrado e suas veredas, Ipês amarelos em agosto. Sou caipira, de casinhas bucólicas, do mugido de vacas, do fogão a lenha, como um poema de Cora. Sou vermelho terra, café com bolinho, pão feito em casa. Cheiro bom é o do mato, de alecrim, de jasmim, da flor da mangueira. De arte, vou dos cordéis e seus impressos, de Guimarães Rosa e seu Miguelim, da Cabiria do Fellini, Almodóvar, Sidarta do Hesse. Da Macabéia de Clarice... decompletamentetodas as palavras em brasa, de Lispector. Da loucura plena de amor de Camile Clode. Da obscena Sra. Hilda Hilst. E confesso: tenho um caso de amor, com o Sr. Caio F. Abreu – cuidarei de seu dragão para sempre. Se me perguntar sobre o amor: nada sei. Mas penso nele como uma força, uma Fenix que potencializa tudo o que alimentarmos em nós. Sobre amar: amei demasiadamente certo e errado, de forma simples ou complicada, ingênua, enlouquecida... mas amei. Sei que “vou querer amar de novo, mas se não der, eu não vou sofrer”(Elis). Medo? Não tenho do escuro, mas das luzes fáceis que cegam. Bem e mau pra mim, compartilham a natureza humana, e a consciência é a vara do artista - todos os dias na corda bamba. Em mim estão vivas: as palavras de Buda, Nietsche, Freud, Jung e de minha avó. Importancia tem a paz, o amor dos meus, e a simplicidade - dos sentimentos, das coisas e das pessoas. Sobre o futuro: nada sei, mas certamente irei morar juntinho do mar. Se eu cantasse: “ando devagar porque já tive pressa, e levo este sorriso, porque já chorei demais”. Do mais, sigo em frente, cego que sou, tateando a superficie cristalizada deste grande lago, que chamamos "vida"...

a missa do sol

Acreditava na minha infância, como a terra, o barro, a estrutura, onde construi a casa que sou hoje... mas descobri a pouco que não. Minha infância não é algo solido. Ela é nuvem, vento, cheiro de mato verde. É o dia pleno de sol. Minha infância são as palavras de minha avó, e a beleza dos ipês floridos em agosto. É medo de quaresma, é a liberdade dançando em meio a chuva ...minha infância é algo imaterial, que a tudo toca e envolve...e o que torna tudo mais belo, mais morno, mais vivo...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Vou por ai, mochila nas costas, um sonho na cabeça...
Tropeço como toda gente, mas não tem nada errado com meus pés...
é o mundo que vive em eterna construção.

(...)então me diz:que culpa tenho eu, de achar que o céu
é bem mais bonito que o chão.

falando de mãos e de sonhos

(...) abra as tuas mãos...
de decomer aos passaros,
a tantas aves famintas de sonhos,
a tanto chão carente de flores,
a tanto vento a ser semeado com teu sopro...
neste sertão, tudo é tão aspero,
(...)cante para mim uma cantiga...
que eu possa me lembrar nas tardes tristes,
que me deixe prenhe daquele orvalho que ainda nao vi,
me faça conhecer a chuva que ainda não caiu,
chega de falar das cruzes brancas na beira da estrada,
deixemos para traz, o que resseca os dias,
(...)Vem comigo ver, como é lindo o mar...

terça-feira, 10 de março de 2009

entre um cigarro, e um gole a mais

Sinto como você...vontade de chorar,
de dizer pra todo mundo que sofro,
mas só minha saliva pode curar minhas proprias feridas,
e confesso!
não pediria nunca para você, lambe-las por mim...
Então,
para que contar o que rola dentro da lona,
se a grande sacada do circo,
é desaparecer enquanto dormem os homens,
(...) Sabe,
queria mesmo, era ouvir uma balada muito louca a meia noite,
um blues,
talvez um gole de vodka,
talvez um beijo invenenado de cicuta,
só pra não acordar denovo
chorando.